Acho admirável a abertura da Quinta Nemeia, em que Píndaro contrapõe a imagem fixa da escultura à dinâmica móvel da poesia, à possibilidade de circulação das palavras por regiões imprevistas. As palavras se associam ao tema da viagem, ao deslocamento movido pela curiosidade de conhecer diferentes paisagens. Píteas, o homenageado, era de Egina, e venceu no pancrácio em Nemeia. Curioso notar que essa abertura lembra a dicção dos Cantos de Pound, que não curtia Píndaro…
Não sou escultor para moldar estátuas estáticas
em pedestal, mas em cada nau,
a bordo de cada batel,
doce canção,
Egina já ao largo, anuncia
que Píteas, filho amplitenaz de Lâmpon,
conquista a coroa do pancrácio em Nemeia,
o queixo ainda sem marca do verão,
doce mãe da vinha em floração,
…